Como vai a inovação na saúde ?

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Nos últimos meses, estive reunida com vários líderes de inovação em saúde e é notório o aquecimento e implantação de muitas (não tão diversas) ferramentas de tecnologia em saúde.

O não reconhecimento do racismo como um fator que impacta diretamente a forma como fazemos saúde já está e continuará perpetuando o “Racismo 4.0” ( palavras de Paulo Rogério Nunes ) nas tecnologias de saúde, que tende a ignorar especificidades, trazer custos desnecessários a quem investe/compra essas ferramentas, ser pouco eficaz para minorias sociais e contemplar exclusivamente o grupo hegemônico que pensa e executa sem uma diversidade de saberes envolvidos.

Aqui trago um exemplo próprio quando tive recentemente uma indicação de cirurgia ortognática baseada no exame clínico de uma ótima cirurgiã bucomaxilofacial assessorada por um software que cruza e analisa exames de imagem. Pedi uma segunda opinião, dessa vez para uma médica cirurgiã oriental, que prontamente sinalizou que o software se baseia exclusivamente em padrões caucasianos para as análises e contra indicou uma intervenção invasiva que evitou incontáveis transtornos de uma cirurgia nada simples e custos com leito, UTI, etc que seriam arcados pelo meu plano de saúde.

De qualquer maneira, acredito que a rota da inovação em saúde pode ser modificada e tem muita gente trabalhando para isso e disposta a ouvir e unir os conhecimentos. Cada dia fica realmente  mais claro que inovação é sim sinônimo de diversidade.

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Respostas

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  1. Olá, Melina! Achei super pertinente o seu texto. De fato há muita pesquisa em inovação na área de saúde, mas partindo de uma visão caucasiana e demasiadamente ocidental. Há grande enfoque no desenvolvimento em tecnologias para o ambiente hospitalar e para área diagnóstica que, do meu ponto de vista, está desalinhada com o contexto da saúde coletiva já que mais de 50% de morbimortalidade está associada à doenças crônicas não transmissíveis que estão diretamente relacionadas ao estilo de vida. A tecnologia é importante sim e salva vidas principalmente quando já estamos em estado de adoecimento, mas poderíamos evitar custos com saúde através do desenvolvimento de tecnologias sociais que traduzam o conhecimento da saúde para a população, que proporcione ferramentas e conhecimentos que estejam associados com a realidade das pessoas e que previnam e não apenas consertem o que está “quebrado” em nós.

    1. Perfeito, Fernanda. Merhy e outros/outras autores/as apontam paras tecnologias leves e duras para esse manejo com a população de forma geral, tanto o vinculo como a intervenção e saber especializado. A gente acaba nao se atentando a esses fatores em todos os níveis dessas tecnologias em saude.